Mineração de urânio: a raiz do programa nuclear brasileiro

A única mina de urânio da América Latina fica em Caetité, na Bahia. O Brasil produz, em média, 400 toneladas de urânio por ano e 99% desse urânio é utilizado para abastecer nossas usinas nucleares. Há planos de duplicar a capacidade de produção da mina de Caetité, de iniciar a operação de uma outra mina em Santa Quitéria, no Ceará e de expandir a extração de urânio para a Amazônia. Como se não bastassem os impactos gerados pela própria mineração do urânio com a utilização de lixiviantes como o ácido sulfúrico para separar o minério de outros rejeitos, as grandes movimentações de solo e a contaminação radioativa das águas, o produto final da cadeia do urânio não poderia ter outro nome: escória radioativa.

Arte: Beyond Nuclear

Infelizmente, como a destinação principal desse mineral é a produção de energia atômica, os planos de expansão de sua extração estão relacionados à intenção de ampliar também o número de reatores nucleares no Brasil. Hoje  Angra I e II produzem juntas 1990 megawatts, em 2015, Angra III entrará em operação adicionando 1405 megawatts. Além disso, o Plano Nacional de Energia 2030 (PNE 2030) estabeleceu que o Brasil precisará expandir a oferta de energia nuclear em mais 4 mil megawatts (MW) até o final do período. Desse total, 2 mil MW estão previstos para o Nordeste e mais 2 mil MW, para o Sudeste.

Esse conjunto de iniciativas vai na contramão de países como a Alemanha que promete desligar todas as suas 17 usinas até 2022. A experiência do desastre de Fukushima parece que não foi bem compreendida por aqui. As referências técnicas e políticas produzidas pelo órgãos públicos parecem ignorar completamente esse aprendizado, tratam a energia nuclear como uma fonte limpa e de baixos custos, justamente por que tratam os problemas relativos ao tratamento de suas escórias radioativas e das medidas ambientais para garantir sua produtividade como meras externalidades.

No Brasil a Coalizão por um Brasil Livre de Usinas Nucleares vem ganhando força. Iniciaram um abaixo-assinado em busca de um Projeto de Lei de iniciativa popular pondo fim a utilização dessa fonte enérgica no país. Diante dos riscos de acidentes, dos impactos da atividade mineira, e da falta de solução técnica para armazenamento das escórias radioativas, a solução não pode ser a ampliação da dependência brasileira da energia nuclear. Devemos construir uma transição para desativar todo o nosso programa nuclear.

Por isso, nós do Observatório do Pré-sal, defendemos a mineração do urânio para suas finalidades não energéticas, como seus usos hospitalares ou científicos. É necessária uma moratória da produção de urânio. Iniciar o processo de descomissionamento da mina de Caetité e não abrir uma nova mina em Santa Quitéria. É necessário, portanto, atacar na raiz a produção de energia nuclear brasileira e a sua raiz é a mineração de urânio.

Comentários

  1. Alessandra Abramo diz:

    Gostaria de parabenizar o site e deixar o meu orgulho de saber que muitas pessoas estão juntas pela luta de um planeta saudável, cobrando das autoridades públicas a real preservação da natureza, que muitas vezes se detém aos discursos, sucumbindo diante da busca desenfreada pelo aumento de produção e lucratividade, independente dos custos que possam gerar, muitas vezes irreversíveis. Achei os links ótimos e tenho acompanhado as publicações. Deixo a minha sugestão de disponibilizar o abaixo-assinado, para que possamos dar ampla divulgação a um tema de suma importância como este. Mais uma vez, parabéns pelo trabalho!

  2. De fato, precisamos de multiplicar o movimento de conscientização da sociedade brasileira e cada iniciativa é bem vinda. Parabéns! Para coleta de assinaturas: http://antinuclearbr.blogspot.com/

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